Scooby-Doo e Batman: Os Bravos e Destemidos | Nostalgia e trapalhadas com essa turminha do barulho

Se você está esperando que esse filme seja semelhante as animações eventuais da DC, você está esperando errado, e sinto informar, até sendo um pouco ingênuo, afinal estamos falando de uma animação com o Scooby-Doo no meio.

Essa é uma das muitas obras resultantes da parceria Hanna-Barbera e DC Comics da atualidade. E podemos dizer que casou muito bem. A Série animada Batman: Os Bravos e Destemidos já possuía um clima mais leve em comparação as demais animações do Morcegão, com estilo vintage e as piadas do tempo da vovó parecia o parceiro perfeito para “tchurminha” do Scooby-Doo.

Todo o visual do desenho é muito bem elaborado, mesmo os traços das duas séries sendo um tanto diferentes o trabalho de arte tornou os dois universos em um só. Um dos fatores que podem ter facilitado essa junção é o período do tempo em que as séries se passavam quando foram criadas, mesmo sendo de 2008, Batman: Os Bravos e Destemidos é baseada em uma série de gibis dos anos 50, The Brave and the Bold e na série televisiva Batman (1966), estrelada por Adam West. Já a turma do Scooby-Doo foi criada em 1969 e mesmo passando por várias reformulações manteve o visual retrô, o que colaborou para essa parceria certeira em 2018.

A trama começa quando as crianças “intrometidas” da Mistérios S/A estão tentando desvendar um caso envolvendo roubos e marionetes paranormais, quando são interrompidas por ninguém menos que o próprio Batman. Para a surpresa de Fred, Velma, Daphne, Scooby e Salsicha esse mistério era um teste para inicia-los na super equipe de Analistas de mistérios de Gotham, formada por Canário Negro, Caçador de Marte, Detective Chimp, Homem Borracha, Questão e um Aquaman  muito mala sem alça. Ao longo da história passeamos por Gotham e visitamos do Arkham à Batcaverna. Com isso podemos ver alguns dos principais vilões da cidade, o que acaba sendo bem divertido e gerando cenas de ação ao melhor estilo dos antigos quadrinhos do Batman com onomatopeias gritantes.

No ápice da história, temos muitas surpresas e reviravoltas, e a equipe da Mistérios S/A devidamente trajados como integrantes da Batfamília, o que realmente é muito legal de se ver e ilustra da melhor forma esse crossover. A conclusão foi a perfeita junção da essência das duas séries, a revelação do vilão misterioso pelas crianças intrometidas, o plano revelado, a lição de moral e a identidade secreta do Batman sendo revelada…

A animação é de muitas formas surpreendente, mesmo considerando que não foi feita com a intenção de agradar marmanjões de vinte e tantos anos, e sim seu público-alvo, as crianças. O humor pastelão cheio de bordões aponta muitas referências dos quadrinhos, como a morte do Robin e a quedinha do Caçador de Marte por biscoitos. Pode não ser uma obra prima da Warner Bros. Animation, mas é uma boa pedida pra quem quer iniciar aquele sobrinho, afilhado, filho… ou seja lá qual criança pequena da família, que só conhece os heróis do cinema a um novo universo de super-heróis, e de quebra, ainda ter aquela sensação nostálgica que só a Hanna-Barbera proporciona.

Uma deusa, uma louca, uma feiticeira.

Rebeca Vilas Boas

Uma deusa, uma louca, uma feiticeira.

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